sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Tradicionalismo X Rock - Ainda?


É inaceitável que em pleno ano 2000, os sinais cada vez mais próximos da vinda de Cristo, guerras acontecendo, mortes, destruição... ainda existam pessoas preocupadas com o ROCK.

Acessando um renomado site evangélico, li um artigo escrito por um pastor, Mestrando em Educação Cristã, onde ele declara que o melhor método evangelístico foi o usado por Jesus, citando os textos de Jo 6:60-66, Lc 9:57-62 e 14:33, e Mt 10:38; o pastor é categórico em afirmar que “... as pessoas devem aceitar o evangelho como ele é...”. Com isso, considera que o método evangelístico através do rock “tem ignorado os alertas de Jesus sobre o discipulado que custa um alto preço... dando lugar ao emocionalismo, sensacionalismo e sensualismo... tem pregado uma fé fácil em um salvador digno de dó em um Deus patético que é desconhecido pelo evangelho do Senhor Jesus...”.

Diante de tais colocações, podemos notar uma certa fragilidade na argumentação, alguns pontos obscuros, que sofrem de profundidade e conhecimento prático de determinados aspectos questionados. Por isso, tomamos a liberdade de considera-los a seguir.

1°) Os jovens vão em um show levados pela música, pela descontração, e com isso, no meio de uma música e outra, ouvem o testemunho de vida de algum componente da banda que está tocando. O show serve apenas para eles conhecerem um Deus que pode mudar suas vidas, e não para discipulá-los ali, em 01 ou 02 horas. O discipulado deve ser feito pelo ministério da igreja para o qual, com certeza, esses jovens serão encaminhados após o show.

2°) O maior problema são aqueles que fazem do discipulado algo tão difícil, com um preço tão alto a pagar, tendo que seguir um caminho tão estreito, que acabam perdendo almas para o mundo novamente, quando na verdade, não é tão difícil servir a Deus.

3°) O problema não é o show. No show, é pregado uma mensagem de vida e libertação. Me pergunto como fica na mente de um jovem que conheceu Jesus em um show gospel, ouvir ou ler, que o show não tem nada de Deus. Sendo que foi ali que ele encontrou a paz e a solução para seus problemas. Como pode alguém julgar se um show evangelístico é ou não de Deus? (Lc 6:37-38)

O artigo ainda se refere aos shows gospel como “Novo Evangelho”, (como se estivesse sendo pregado um evangelho diferente, uma nova doutrina) dizendo que “... não prega as verdades bíblicas, tais como a incapacidade natural do homem em crer... se preocupando apenas em atrair grande número de jovens e adolescentes, que tem compreendido o ritmo, o balanço, o som com altos decibéis, mas não tem compreendido a mensagem do caminho estreito e que custa um alto preço... fracassando em produzir reverência profunda, espírito de adoração e preocupação pela situação da igreja”.

Pelo contrário, a letra das músicas estimulam a confiança e a esperança de que há um só Deus que pode curar e livrar-nos de todo mal, levando assim, todas as pessoas que estão assistindo ao show, a crer que realmente existe um Deus que tudo pode.

Graças a Deus, os ginásios, praças, qualquer lugar onde se faz um show gospel, enche de jovens, trazidos pelo som, pela música, pela estrutura montada... e ao entrar, ele vêem algo diferente, pessoas diferentes, um clima diferente, letras diferentes, palavras diferentes...

Devemos saber a diferença entre Evangelismo e Louvor e Adoração. Devemos ter tato, e saber a hora de fazer uma coisa e outra. Em um show de evangelismo, as pessoas vão para se descontrair, ouvir boa música, e ainda saem edificadas: quem ainda não teve um encontro verdadeiro com Jesus, ao vivenciar esta realidade, é motivado e incentivado a viver esta nova vida.
Outra questão: Por que só o meio secular pode montar mega eventos? Deus não merece o melhor?

O pastor termina o artigo convidando a “entoar hinos à semelhança de Cristo, que após cear e antes de ir para o Getsêmani, entoou um louvor a Deus (Mt 26:30)”. Afirmando que “...com certeza não foi em ritmo de Rock”.

Também tenho certeza de que rock não foi, pois ainda não existia esse ritmo naquela época mas, provavelmente, também não foi um ritmo diferente das músicas cantadas naquela época. A linguagem musical é uma só, que se modifica à medida em que o tempo vai passando.

Há algum tempo, o órgão era proibido nas igrejas, depois foi a vez do piano, da guitarra e do contrabaixo elétrico serem barrados; a bateria (coitada), nem se fala; e a percussão então?

Houve um período em que só homens podiam cantar (a capela, claro), depois abriram espaço para as mulheres. Incluíram o órgão (muitos acharam blasfêmia). E assim foi, de tempos em tempos tudo o que era novo, era repudiado, era vista como coisa do diabo.

Aconteceu como canto coral, com a música sacra, com a guarânia, com a música sertaneja... hoje em dia continua com o rock, mas carregam sua cruz o samba, o pagode, o funk, o blues, o jazz, o ska, o reggae, o dance music, o rap, o hip hop... mas também não fogem à perseguição os ministérios de dança, teatro e até músicas de Louvor e Adoração já estão sendo atacadas. (aguarde novo artigo sobre este assunto)

Devemos requerer o que é nosso.

Deus nos deu dons, e essas são as nossas armas para combater o inimigo.

O referido texto defende o método evangelístico de Jesus (ótimo método), mas não podemos esquecer que Jesus também “bateu de frente” com as tradições da época, não é por menos que os judeus estão esperando o messias até hoje.

O mundo tem nos roubado muitas coisas , entre elas, as artes, mas eu desafio você a requerer, conquistar e ganhar batalhas através do ministério que você tem nas mãos. Não deixe que alguém o desanime. Ore, e Deus estará contigo em tudo, em todos os momentos, desde o planejamento até a conclusão do evento que o seu ministério está preparando. Então, as pessoas verão o quanto estão erradas em julgar antes de conhecer o que Deus tem para fazer através de qualquer ministério, seja ele o mais louco que você puder imaginar.

Pr. Felipe José da Cunha
Artigo publicado no Jornal Gospel Ano 03 - Ed.12 Jan/2001

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